sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Triste realidade

Todos os dias no trajeto de ida e volta do trabalho me deparo com a triste realidade da Angola. Oito horas do meu dia fico no imponente prédio sede do Grupo Sonangol e quatro horas preso no trânsito dos horrores. É muita miséria, poeira e descaso. 


São carros abandonados, multilados e depredados pelo tempo. Lixo por todos os lados. Uma nuvem de poeira que cobre quase toda cidade. Barracos caindo aos pedaços que abrigam família inteiras. Cachorros maltratados e famintos. Crianças sem roupa brincando nas valas. Mães que carregam seus filhos nas costas e uma bacia enorme na cabeça com produtos para vender. É preciso ser forte (ou é preciso ter estômago forte?)



Mas o que é ser forte? Ver isso tudo e não fazer nada? Me abster dos problemas dos outros, das pessoas que me cercam? Tornar toda aquela "paisagem" apenas um filme ruim que tem hora para começar e acabar? Não sou integrante do Greenpeace ou de nenhuma ONG, mas sinceramente é FODA ver isso tudo e não poder fazer NADA. 


Aliás... sei que sempre podemos fazer algo, mas vocês sabem quando o tamanho do problema é tão grande que você não sabe nem por onde começar? Então você fica na sua e finge que nada está acontecendo. É cruel, é comum, eu faço isso!

3 comentários:

  1. Sinto-me assim menino...não sei o que fazer. Passei em frente a uma Ong e estiquei o olho, mas confesso ter medo. Na Zâmbia desenvolvia trabalho filantrópico num orfanato, mas é um país tranquilo. Por enquanto, fico aqui escondida em minha redoma. É duro, mas é real. Beijocas!

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  2. Meu querido filho nas suas orações não esqueça de pedir à Deus que em sua infinita bondade ajude esse povo. Nas minhas orações estarei apresentando eles. Te amo infinito...

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  3. Não é fácil a sensação de impotência, meu caro Helinho. Isso me faz lembrar uma poesia de Manuel Bandeira que escrevo abaixo:

    O BICHO
    Vi ontem um bicho
    Na imundície do pátio
    Catando comida entre os detritos.
    Quando achava alguma coisa,
    Não examinava nem cheirava:
    Engolia com voracidade.
    O bicho não era um cão,
    Não era um gato,
    Não era um rato.
    O bicho, meu Deus, era um homem.
    Rio, 27 de dezembro de 1947.
    Manuel Bandeira.

    Sabemos, porém Helinho, que tudo na vida (eterna) vive em contínua transiçao nessa longa estrada do progresso espiritual. Muitas revoltas nos trazem e, neste planeta tão atrasado, dentro da lei de ação e reação, todos irão conseguindo galgar mais um degrau... A dor, na Terra, ainda é processo expurgador de mil delitos que não foram justiçados e de vícios hediondos que permaneceram ocultos. O amor, no entanto, é o hífen de ligação do homem com o seu irmão e com Deus. Naquele ambiente de sofrimento e esperança encontramos sempre espíritos bondosos e pacientes com o sorriso nos lábios... É a diferença entre os milhões de espíritos reencarnados nesta grande escola que é a vida neste planeta. Muita luz meu "filho" e me sinto confortado tendo você esse espírito nobre que já consegue sair de cegueira de numerosos e sofrer por impotência em não ajudar...

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